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Nilson Raman

Estratégias que levam a força artística
do Brasil para o mundo

O paulistano Nilson Raman começou sua vida profissional como modelo – e logo virou ator de teatro e TV. Mas o lugar à frente das câmeras e sobre o palco não foi o seu destino final. “Acho que meu sangue árabe, povo de tradição no comércio, se combinou com o campo onde eu atuava, ou seja, o comércio da arte. Virei produtor muito depressa”, conta ele. Os negócios e a logística que fazem acontecer o espetáculo acabaram sobrepujando a veia artística – que Nilson, no entanto, não abandonou totalmente.  Numa produção infantil em São Paulo, foi se aproximando da administração, providenciando um transporte aqui, uma viagem ali… “e pouco a pouco foram se definindo as prioridades”, arremata.

A vinda para o Rio de Janeiro, em 1990, aconteceu ainda no embalo do trabalho de interpretação. “Cheguei para ser ator e conheci Bibi Ferreira mais de perto. Nossa grande atriz estava montando uma turnê e me convidou para dirigir a produção em viagem nacional – e não pude recusar”, relembra. O encontro com Bibi ator laços que só se fortaleceram com o tempo. “Bibi só faz palco e não para, é um núcleo de produção constante e em várias frentes ao mesmo tempo – shows de repertório em cartaz por dois, três anos; CDs, DVDs”, enumera Raman.

Dois anos depois de sua chegada ao Rio, os trabalhos como ator (no SBT fez diversos shows como Veja o Gordo e A Praça é Nossa) andavam em paralelo com as produções. Um jantar reuniu Nilson a Marcus Montenegro, que compartilhava a amizade com Fafy Siqueira, de quem era produtor. A conversa se transformou em parceria informal e ajuda mútua; a amizade se estabeleceu. “Marcus dirigia a Companhia do Lobo, do Wolf Maya, que eu adorava, e sempre trocávamos ideias e dicas”. Em 1992, em momentos de mudança para ambos – Marcus de saída da Cia, Nilson finalizando o portentoso Bibi in Concert 1 – a afinidade e amizade inspiraram a associação efetiva dos dois produtores. E a Montenegro & Raman nasceu.

Uma nova engenharia na construção de espetáculos, o primeiro slogan da empresa, se traduziu, além da eficiência nas produções, em um uso pioneiro e eficiente de mecanismos de renúncia fiscal, especialidade de Nilson. “Tínhamos muitas parcerias e permutas, estabelecemos um departamento muito bom de produção naquele fim dos anos 1990, início dos anos 2000”, diz. As mudanças graduais nestas ferramentas de captação e financiamento abriram espaço para o agenciamento, que se tornou aos poucos o diferencial e a expertise da MR. Artistas de teatro, cinema e TV do cast ganharam a companhia de bailarinos, músicos; a ideia de produção se ampliou para a criação (“fazemos muitos livros!”, lembra ele). A atividade de produção se reduziu para o mínimo essencial, voltado para atender aos artistas há mais tempo com a empresa, e o agenciamento se ampliou.

Hoje, Nilson Raman continua tratando da delicada e trabalhosa parte burocrática de todos os projetos (inscrição, captação, prestação de contas) e se considera um profissional “mais voltado para o investimento do que para o rendimento”, como define. “Os núcleos em que tenho apostado são os de linguagem universal como dança e música, que propiciam essa da abertura de caminhos, em especial fora do Brasil. Há dois anos, mantemos um escritório em Nova York. Vou às grandes feiras de música do Brasil, da Europa, dos Estados Unidos e da América Latina; capitaneio projetos internacionais para nomes Leo Gandelman, Ivan Lins, Joyce, entre outros; faço consultoria para nomes como Maria Bethânia, Paulinho da Viola e Beth Carvalho”.

São núcleos grandes e complexos. Nilson ainda revela: “estamos também sempre trabalhando o núcleo de dança com Ana Botafogo, e preparando o Instituto de Dança que está em vias de ser lançado”, adianta Raman.  E, ainda como projeto, a vontade de explorar o campo do audiovisual. “Temos um enorme potencial nessa área”.

Nilson trabalha com uma concreta e permanente capacidade de se renovar (“A gente está sempre se reciclando, entendendo para onde as coisas caminham”) e a certeza tranquila e completamente estabelecida de que somos especiais: “Ao buscarmos o mercado global, constatamos o número extraordinário de artistas buscando a luz dos spotlights. Mas o jogo é esse. E uso sempre o nome do nosso país, somos a MONTENEGRO E RAMAN BRASIL, porque a força artística do nosso país é incontestável. Quanto mais conheço do mercado mundial, mais constato que o artista brasileiro é uma usina de talento sem igual”.